Lesões Meniscais | Dr. Marcelo GarzellaDr. Marcelo Garzella
 

Lesões Meniscais

Ocorrendo de forma isolada ou associada a lesões ligamentares, as rupturas meniscais podem resultar em uma função articular anormal, limitada e dolorosa em um primeiro momento, tendo ainda a osteoartrose como uma complicação tardia possível nestes joelhos.

Na década de 1950-60 os meniscos lesionados eram ressecados cirurgicamente, de forma abeta, por achar-se que seriam estruturas possíveis de descarte. Pouco tempo depois se concluiu que a meniscectomia não seria uma cirurgia inócua, e estes pacientes se encaminhavam para desenvolver artrose de joelho.

Em resumo, os meniscos são estruturas importantes na proteção articular. Em acordo a isto, a abordagem corrente é de preservar o tecido meniscal tanto quanto possível. Um claro entendimento da função, biologia e capacidade de cicatrização do menisco é importante para que possa tomar uma boa decisão diante de uma lesão desta estrutura.

Os meniscos são compostos de uma zona vascularizada, periférica (dita vermelha) de (+-) 20 – 30%, e de uma zona avascular, central, com 70% (dita branca). De maneira geral, são estruturas fibrocartilagínea em forma de “C” ou semicirculares, interpostas entre os côndilos femorais e o platô tibial, presas ao osso no aspecto anterior e posterior do platô tibial. O menisco medial é em forma de C, com um corno posterior maior que o anterior. O menisco lateral tem uma forma quase circular, cobrindo uma porção maior da superfície articular da tíbia do que o menisco medial. O menisco lateral é mais móvel que o medial, talvez pela menos rigorosa associação periférica deste com a cápsula.

 


BIOMECÂNICA

Os meniscos são importantes em muitos aspectos da função do joelho incluindo absorver e distribuir o impacto, reduzir o atrito articular e promover estabilização passiva da articulação. Deve melhorar a congruência da superfície articular e a sua área de contato, assim como auxiliar na propriocepção e limitar os extremos da flexão ou extensão do joelho.

A retirada do menisco medial causa 50 á 70% de redução da área de contato do côndilo femoral e 100% de acréscimo na sobrecarga. A meniscectomia lateral resulta em decréscimo de 40-50% na área de contato lateral e 200 a 300% de aumento na sobrecarga no compartimento lateral.

O menisco também demonstra clara responsabilidade de estabilização articular. Nos joelhos com ruptura do LCA, onde se procede a meniscectomia medial (principalmente de seu corno posterior), a instabilidade se eleva em até 60%.

Sempre se tenta preservar o máximo do tecido meniscal. Embora saiba-se que os dois-terços centrais dos meniscos são importantíssimos para maximizar a área de controle articular e melhorar a descarga articular, quando se mantém ao menos a integridade do Terço Periférico do menisco já se tem alguma garantia de estabilidade e transmissão de carga.

 


TRATAMENTO

A decisão quanto a forma de tratamento a ser escolhido deverá levar em consideração vários fatores como idade do paciente, a condição clínica do joelho lesado (dor, inchaço, bloqueio…), o tipo e a localização da lesão (zona branca, vermelha ou dita intrasubstâncial), a presença de lesões associadas (ligamentos ou cartilagens) e as expectativas do paciente.

TRATAMENTO CONSERVADOR

Será reservado para lesões com poucas repercussões clínicas ou com potencial de cicatrização (zona vermelha), assim como em quadros associados a osteoartrose bem estabelecida onde a lesão meniscal é somente um “evento” a mais da doença, e a sua ressecção influenciara pouco na evolução da doença. O tratamento clínico constará de gelo, repouso relativo, medicação analgésica e antiinflamatória, e fisioterapia em uma fase inicial. Se houver uma boa evolução deverá passar para reequilíbrio e fortalecimento muscular, com retorno ao esporte conforme a sua tolerância.

TRATAMENTO CIRURGICO

Será necessário em algumas situações: quando a sintomatologia do paciente for importante e persiste, mesmo após o tratamento clínico; quando há “bloqueio” articular, ficando o joelho semi-flexionado; quando houverem lesões associadas, principalmente ligamentares ou fraturas, que também necessitam de tratamento cirúrgico. As lesões meniscais serão tratadas por vídeartroscopia, sempre com a tentativa de preservar o máximo de tecido meniscal possível, e já encaminhando também a resolução das lesões associadas, quando presentes.

SINTOMAS

A sensação clássica do paciente é de uma dor aguda e um “clunck” no joelho durante algum movimento com sobrecarga na articulação, o qual poderá ocorrer em atividades esportivas (jovens) ou de dia-a-dia normal (idosos). A maioria deles até poderá continuar caminhando com apoio sobre o membro lesionado, embora com graus variados de dor, inchaço e rigidez articular (alguns até com “bloqueio” da movimentação).  

SINAIS

O médico perceberá uma alteração na marcha do paciente, o qual terá dificuldade de apoiar o membro e estende-lo completamente durante a fase final do apoio da marcha. Além de quantificar o volume de derrame dentro da articulação, o Ortopedista procederá a exames específicos (principalmente o McMurrey e o Apley) onde basicamente irá fazer uma rotação lateral ou medial da sua perna sobre o joelho, associando a movimentos de flexão e extensão deste, na tentativa de chegar ao diagnóstico. Também deverá ser de interesse a busca por lesões associadas, como das estruturas ligamentar e cartilagíneas principalmente.

EXAMES DE IMAGENS

Embora sempre se proceda a um Rx, até para se avaliar a existência ou não de achado indicativos de fraturas (em lesões agudas) ou artrose no joelho (nos casos crônicos), a Ressonância Magnética é o exame de eleição na definição diagnóstica. Ela tem grande capacidade de visualizar as estruturas moles (meniscos, cartilagens e ligamentos) e demonstrar as lesões meniscais e suas características, o que é fundamental para a decisão terapêutica.

CLÍNICA ESPECIALIZADA EM ORTOPEDIA E TRAUMATOLOGIA

Sempre procure um bom profissional na hora de fazer sua cirurgia

Copyrights 2017 ® - Marcelo Garzella - Todos os direitos reservados Desenvolvido por